Navigation und Service

Discurso do Presidente Federal Christian Wulff
por ocasião do jantar
na quinta-feira, dia 10 de Fevereiro de 2011, em Lisboa

Bundespräsident Christian Wulff beim Abendessen in Lissabon Lissabon, Portugal, 10. Februar 2011 Foto: Guido Bergmann, Presse- und Informationsamt der Bundesregierung © Foto: Guido Bergmann, Presse- und Informationsamt der Bundesregierung

A minha esposa e eu agradecemos a Vossas Excelências pelo acolhimento muito caloroso em Portugal e pela recepção que prepararam para a minha delegação e para nós. A Vossa Excelência, Senhor Presidente, mais uma vez – pessoalmente – as minhas sinceras felicitações pela sua reeleição e os meus votos de muito êxito e uma mão hábil para o seu segundo mandato.

Era minha intenção estabelecer contacto com os meus colegas da União Europeia, tão breve quanto possível, após a minha eleição como Presidente Federal. Tenho, assim, o maior prazer em fazer uma visita oficial a Portugal ainda no primeiro ano do meu mandato. Fico grato pelo facto de, também a conversa com Vossa Excelência, me ter proporcionado uma visão pessoal da actual situação em Portugal. Vossa Excelência é uma das constantes políticas europeias e dispõe de longa experiência.

Uma longa parceria e uma profunda amizade ligam Portugal e a Alemanha, que darão mostras do seu valor igualmente em tempos difíceis. Desde há séculos que a economia e o comércio nos ligam. Portugal é um importante país de investimento para empresas alemãs. Mas, as nossas relações são também marcadas pelo profundo interesse pela cultura do outro. Actualmente, mais de 100.000 portugueses encontraram o seu lugar na sociedade alemã. Os portugueses que passaram fases da vida marcantes na Alemanha, dão importantes contributos para as nossas relações – na cultura, na economia ou na comunicação social. Devido à beleza das suas paisagens, à sua cultura e História, o vosso país é, para os meus compatriotas, um destino de viagem apreciado e frequentemente também procurado para fixar a residência.

Aqui de Lisboa, da margem do Tejo, audaciosos navegadores portugueses partiram, há já meio milénio, para lugares distantes do mundo, efectuando trocas comerciais com países até então desconhecidos. Portugal esteve, assim, na alvorada do actual sistema de comércio mundial. O seu país é pioneiro da globalização e dispõe, até hoje, de excelentes relações em muitas regiões do mundo. Compreende as sensibilidades da África e da América Latina – qualidade de que poderão beneficiar toda a Europa e a Alemanha.

Como europeus, agimos em conjunto, com base no Tratado de Reforma, que é inseparável do nome da vossa capital – o Tratado de Lisboa.

O euro é um marco da integração europeia. Fomenta a nossa prosperidade e a coesão da Europa. Portugal e a Alemanha beneficiam da moeda única. O euro provou ser um forte escudo contra a crise financeira mundial. Por isso, vamos fazer todos os esforços, no sentido de manter a estabilidade da nossa moeda comum. Para isso, é necessário continuar a desenvolver os instrumentos europeus, incluindo as normas vinculativas num Pacto de Estabilidade e Crescimento mais rigoroso e um mecanismo permanente de gestão de crises. Temos também que trabalhar mais estreitamente, por forma a coordenar melhor as nossas políticas económicas, financeiras, orçamentais e sociais. Falamos acerca destas questões de forma justa e em parceria, com o objectivo de fortalecer o ideal europeu.

A cultura de estabilidade europeia necessita de ser permanentemente ancorada nos Estados-Membros. Portugal está a implementar um amplo programa de consolidação, que tem encontrado um eco positivo não apenas na Alemanha. Os esforços que os portugueses terão agora que fazer, no seu próprio interesse, trarão, a muitos cidadãos, dificuldades consideráveis. Mas, em última análise, abrirão o caminho para um melhor futuro económico. Estou confiante que Portugal será capaz de vencer este desafio. O vosso país, com as suas fronteiras praticamente inalteradas desde há oitocentos anos, já superou – como os galeões e caravelas no mar – muitas tormentas difíceis e também superará esta.

Se os países da Europa continuarem a reformar a sua estrutura económica e a reforçar a sua competitividade a nível global, nós, europeus, poderemos aproveitar as oportunidades de uma globalização acelerada. Assim, continuaremos a sentir-nos bem, também no mundo do futuro.

Portugal ensinou-nos, há mais de meio milénio, a traçar o caminho com a ajuda das estrelas. Naquela altura, a Europa partiu rumo ao "Mar das Trevas". Assim, chegou a novas margens, florescendo no âmbito cultural como no económico. Também as doze estrelas douradas da União Europeia são estrelas guia. A integridade e a unidade que representam recordam-nos as grandes aspirações do ideal europeu. Estas são aspirações que exigem diariamente o nosso empenho.

Peço agora a Vossas Excelências que ergam os copos e me acompanhem num brinde ao bem-estar do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva e da sua esposa Maria Cavaco Silva, ao bem-estar da sua família, bem como às boas relações entre os nossos dois países na Europa unida.